
Reviver o Futuro
E chegou Maio… A ver se é desta que os CD ouvidos no período blackout deixam de estar empilhados enquanto aguardam pacientemente uma referência neste blog. Seja como for, a entrada de hoje é, sobretudo, cinematográfica.
Jennifer Love Hewitt está novamente numa posição confortável na sua carreira televisiva com a série Ghost Whisperer, que em Portugal, dependendo do canal, se chama Em Contacto (FOX Life) ou Entre Vidas (SIC). Mas deixemos essas incoerências para outra ocasião e concentremo-nos em Jennifer. O seu sucesso está extremamente ligado ao seu papel na série Adultos à Força, tendo a sua personagem, inicialmente secundária, sido popular ao ponto de lhe garantir um lugar na série entre os protagonistas e ter-se apostado num spin-off da série, Time of your Life, onde o papel principal era o seu. No entanto, este spin-off foi cancelado a meio da primeira temporada, apesar dos 7 episódios que não foram transmitidos terem-no sido em alguns países europeus. Paralelamente, Jeniffer tentou uma carreria musical, que se iniciou curiosamente aos 12 anos com um álbum lançado apenas no Japão e que lhe concedeu o estatuto de pop star naquele país. Posteriormente, lançou mais 3 álbuns internacionalmente, o último dos quais em 2002, no qual tenta abandonar a teen pop para se dedicar ao pop-rock alternativo adulto. A sua carreira no cinema também não encontrou sucesso junto da crítica, sendo, contudo, popular o filme de terror adolescente Sei o que Fizeste no Verão Passado e a menos popular sequela. E, depois desta já longa introdução, chegamos ao ponto desejado. Reviver o Futuro (If Only) de Gil Junger alia as vertentes de actriz, compositora e intérprete de Jeniffer, uma vez que co-escreveu e cantou dois dos temas da banda sonora do filme, onde interpreta uma professora de violino que anseia ser uma cantautora. Curiosamente, no final desse mesmo ano de 2004, com o papel numa versão musical televisiva de Um Conto de Natal, a carreira musical de Jennifer entraria num hiato até ao presente. Voltando ao filme, é mediano mas talvez seja o melhor de Jennifer, sendo curioso o facto de nunca ter tido direito a distribuição comercial nas salas de cinema norte-americanas. Na sinopse é revelado: Depois da inesperada morte da sua namorada no dia em que tiveram uma discussão, um homem tem a oportunidade de reviver esse dia e de tentar endireitar as coisas. É uma espécie de mistura de dramédia romântica com uma pitada de fantasia, que já foi aproveitada noutros filmes, o de reviver um dia para que não termine do mesmo modo. As interpretações nem sempre são as melhores e, apesar da bom trabalho de Jennifer, fiquei com a sensação de que o filme teria resultado melhor com a escolha de outra actriz para aquele papel. Coisas do destino…
Em Outubro de 2005, escrevi a seguinte opinião sobre o livro 300 de Frank Miller num blog:
300, a obra sobre os espartanos de Frank Miller, foi editado pela Norma este ano em Portugal.
Trata-se de uma obra com já alguns prémios na bagagem: 2 Harvey em 1999 (melhor série – sim, antes de ser compilada, foi uma mini – e melhor cor) e 3 Eisner no mesmo ano (melhor série limitada, melhor autor completo, melhor cor), entre outros.
A cor, a cargo de Lynn Varley, está excelente, realmente. Já os desenhos de Miller continuam a mostrar a extrema necessidade de alguém o enviar para umas aulinhas de anatomia, mas enfim… o homem já se pode dar ao luxo de desenhar desta forma eheheheh!
Justifica-se o grande burburinho acerca desta obra? Trata-se sem dúvida de uma série que foi bastante diferente do que aquilo a que a maioria dos norte-americanos está habituada, e, sendo lançado pela Dark Horse, uma das principais editoras, teve direito a público q.b. para tal. O tema são os espartanos, as páginas encontram-se em landscape e num formato bastante maior que o comic, pelo que, tudo isso, deve ter deixado os críticos por lá em polvorosa. Na verdade, temas e abordagens semelhantes são comuns na Europa, mas não por lá…
Seja como for, 300 é um trabalho que não deve ficar despercebido e aconselho a todos a espreitar. E, se gostarem do que vislumbrarem, não hesitem e levem os 300 espartanos, debaixo do braço, para casa!
Três anos e meio depois, atrevi-me a ver a adaptação cinematográfica. Na verdade, trata-se de um regresso às origens, visto que Miller tinha-se baseado no filme Os 300 Espartanos de Rudolph Maté para a sua banda desenhada. Miller permitiu-se a alguma liberdade histórica da batalha das Termópilas na sua BD – mais próxima da fantasia histórica -, pelo que não faz sentido avaliar tal no filme que lhe deu origem e que se mantém bastante fiel aos comics, tendo o realizador Zack Snyder se preocupado em transpôr algumas vinhetas para o grande écran, bem como manipular as cores, de modo a ser mais próxima da BD. O filme também prolifera em efeitos visuais, estando alguns actores irreconhecíveis – sendo o brasileiro Rodrigo Santoro talvez o expoente máximo com o trabalho em CGI realizado na sua personagem. Interesse-se ou não por história, real ou fantástica, por guerra ou por filmes de acção, o filme é visualmente arrebatador, e tal é suficiente para conseguir o seu lugar na história do cinema…
A sinopse do anime Saiyuki: Requiem (Gensomaden Saiyûki: Requiem) de Hayato Date é a seguinte: Genjo Sanzo, Son Goku, Sha Gojyo e Cho Hakkai salvam uma rapariga chamada Houran de ser devorada por um pássaro gigante. Como sinal de agradecimento, ela convida todos a passarem uns dias na sua casa. Este filme lançado directamente para o mercado de vídeo pertence à franchise do manga e anime Saiyuki (最遊記シリーズ, no original). O manga, da autoria de Kazuya Minekura, foi baseado parcialmente no livro Jornada ao Oeste (西遊記 ou 西游记 ou Xīyóujì), um romance mitológico atribuído ao escritor chinês Wu Cheng’en, em meados da Dinastia Ming, cerca de 1570 e que conta a história da lenda chinesa de Sun Wukong (Rei Macaco). O anime teve direito a 50 episódios, ao qual se seguiu o presente filme e que foi o meu primeiro contacto com este universo, que segue as aventuras do monge budista louro Sanzo, o rei macaco Son Goku, o meio-demónio Sha Gojyo e o homem transformado em demónio Cho Hakkai, sendo a sua similaridade com as personagens do romance supramencionado apenas superficial. Quer a realização, quer o argumento deixam algo a desejar, tendo eu ficado completamente indiferente a Saiyuki.
Nunca li o livro Le diable a l’avantage da fotojornalista e escritora Isabel Ellsen, o qual serviu de base para o filme As Flores de Harrison (Harrison’s Flowers) de Elie Chouraqui, onde curiosamente revi o actor que interpretrou o Rei Leónidas em 300 num papel, desta vez, secundário. Se em 300, a batalha serve de entretenimento e pretende torná-la em algum espectacular – no sentido de espectáculo -, aqui o propósito é mostrar o que realmente está implicado na guerra, um verdadeiro soco no estômago para não esquecermos o que implica o sangue, o esturpo, a morte, os crimes de guerra… O resumo informa-nos: Harrison Lloyd, repórter fotográfico da Newsweek, é enviado à Jugoslávia para cobrir a guerra. Ele aceita o desafio e passa os últimos momentos junto da mulher, dos filhos e do seu passatempo favorito, as flores. Harrison diz que é a sua última missão como jornalista e promete à mulher voltar para o aniversário do filho mas, não só se atrasa como, pouco tempo depois de ser dado como desaparecido, é dado como morto. Passado em 1991, em plena Guerra da Independência da Croácia, o filme é, no final, dedicado aos 48 jornalistas que foram mortos. Além da história de amor, que serve como pretexto para o fime, o seu único senão é ser demasiado tendencioso, aparecendo os croatas no papel de vítimas e os sérvios como os vilões. E todos nós sabemos que a História não é assim tão simples…