Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 9 Fevereiro, 2009

ele há dias assim

O Maquinista

O Maquinista

Há que confessar. O dia de ontem foi dedicado ao ócio. Esparramei-me no sofá e fiz o meu tributo domingueiro à 7ª arte, com o desfile de cinco filmes, como se tratasse do mais digno festival de cinema. Eis a opinião do público solitário. Comecei com As Cinzas de Ângela (Angela’s Ashes) do inglês Alan Parker. Nunca li o livro homónimo, pelo que não posso avaliar a adaptação do mesmo. Julgo que se trata de um tema difícil, uma vez que seria fácil cair nos estereótipos da miséria humana, desensibilizando os espectadores para a história que está a ser contada. Parker doseia esse ingrediente, de modo a não afastar o espectador, conseguindo, deste modo, transmitir as vivências do escritor e professor Frank McCourt, desde a sua infância até ao início da vida adulta, numa Irlanda em plena Grande Depressão.

Seguiu-se O Pequeno Marciano (Martian Child), livremente adoptado de uma novela que teve por base acontecimentos reais do autor David Gerrold. Também desconheço a novela, embora tenha conhecimento que na realidade existiram duas grandes diferenças: a criança adoptada não acreditava ser realmente de Marte – tratava-se, sim, de um jogo entre o pai adoptivo e o filho – e o pai é homossexual. Mas voltando ao filme, aborda a difícil barreira entre as regras da sociedade a impôr a uma criança versus apoiar a manifestação da sua personalidade como indivíduo. Como curiosidades, acrescenta-se que o realizador é um dos co-escritores do jogo Lego Indiana Jones: The Original Adventures, que tenho vindo a jogar no meu vagar, que os seus dois longa-metragens foram protagonizados por John Cusak e que este é um dos dez filmes onde John contracena com Joan Cusak, sua irmã na vida real e neste filme também.

Há pouco tempo, abordei aqui a série televisiva Os Três Duques e hoje chega a vez de outra série ligada a automóveis, O Justiceiro. Knight Rider teve direito a 4 temporadas nos EUA, totalizando 90 episódios entre 1982 e 1986. Com bastante sucesso em Portugal, o que poucos saberão é que a saga não terminou aí. Em 1991, surigiria a sequela Knight Rider 2000, um filme que pretendia vir a tornar-se numa série, com dois dos actores originais a interpretarem o papel de Michael Knight e de Devon Miles. No entanto, a série não lhe sucedeu. Três anos depois, surge o filme televisivo Knight Rider 2010 que, após muitas alterações, acaba por não ter qualquer ligação com a série, com excepção do nome. No entanto, entre 1997 e 1998 são transmitidos 22 episódios de uma nova série intitulada Team Knight Rider, desta feita com uma equipa de cinco condutores e respectivos cinco veículos. Num dos episódios é insinuado que uma das condutoras é filha de Knight, mas a questão nunca é esclarecida. No último episódio, no final do mesmo, reaparece Michael Knight, filmado de costas,. Fazendo tábua rasa dos acontecimentos vistos nos filmes e série subsequentes, surge um novo piloto em 2008, sendo comercialmente distribuído como filme televisivo, com nome idêntico ao da série original e passados 25 anos após o fim da série original. Foi esse o filme que vi, em Portugal intitulado Knight Rider – O Justiceiro, competindo a realização a Steve Shill. Desta vez, o condutor escolhido é filho de Michael Knight, aparecendo o actor David Hasselhoff num pequeno papel, garantindo a continuidade oficial da série. O filme actualiza os efeitos especiais, de modo aos gadgets poderem ser considerados modernos. Curiosa é a escolha de Val Kilmer para a voz de KITT (modificada, claro). O piloto teve sucesso q.b. para ser produzido uma nova série televisiva homónima,  actualmente transmitida nos EUA.

Clint Eastwood tem um percurso cinematográfico muito curioso. Um dos pontos altos na sua carreira é, na minha opinião, a realização dos dois filmes dedicados à batalha de Iwo Jima. Vi recentemente o excelente Cartas de Iwo Jima, o qual apresenta uma visão japonesa do conflito, pelo que estava com bastante expectativa de ver o filme complementar Flags of Our Fathers – As Bandeiras dos Nossos Pais, mais uma adaptação de um livro que não li, com a visão norte-americana. Não tão poderoso quanto o filme irmão, é impossível ver apenas um deles.

O festival terminou com um filme espanhol peculiar. Apesar de rodado em Barcelona, a língua falada é a inglesa, o realizador é norte-americano – Brad Anderson – e os actores principais são do Reino Unido, EUA, Canadá e Itália, entre outros. El Maquinista é um filme que me agradou muito, em parte devido aos twists provocados pelos estados alterados da mente. Christian Bale deixou-se filmar esquelético, tendo perdido 27 quilos para interpretar o papel com uma dieta desequilibrada que consistiu em cafés e maçãs, autoprivando-se também de repouso. Uma dedicação extrema ao papel… Não tentem isto em casa 🙂

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