Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 21 Abril, 2009

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Ploy - Jogos de Sedução

Ploy - Jogos de Sedução

Não desejo que se percam no tempo, mas ontem adiei para hoje algumas áreas artísticas desfrutadas anteontem. A nível da banda desenhada, li o 11º volume de Fables, intitulado War and Pieces, o qual reúne os nº 70 a 75 da série mensal. Como o argumentista Bill Willingham explica no posfácio, é um fechar de um grande ciclo, estando esta etapa planeada desde o seu início. Desconfio, inclusivamente, que se chegou a tratar, em tempos, de uma finalização da série, caso ela conseguisse atingir tal número, uma vez que o número 75 tem algum signficado na linha editoral da DC onde esta publicação se insere, a Vertigo. O número 75 é o número final de uma das suas séries mais aclamadas, Sandman. Talvez Fables tenha superado todo o sucesso que se poderia esperar… Afinal, a série teve direito a vários spin-offs, incluindo uma série mensal intitulada Jack of Fables que já ultrapassou 3 dezenas de números e se baseia numa personagem chamada Jack, inspirada em várias fábulas e cirandas, incluindo a do Jack – em Portugal, João – que subiu a um enorme pé-de-feijão. Outro spin-off publicado foi uma novela gráfica que serviu de prequela à série e estão projectadas várias mini-séries e um livro ilustrado para um futuro próximo. Já para não falar de uma série televisiva que talvez estreie este ano. Quanto ao TPB, é constituído por 3 arcos.  O primeiro conta com a arte de Niko Henrichon e aproveita para desenvolver mais as personagens um pouco deixadas de lado à custa do arco anterior. Os seguintes arcos foram desenhados por Mark Buckingham, com arte-final de Steve Leiahola e/ou Andrew Pepoy. O 2º arco, com a Cinderela no papel de espia, é talvez o melhor do livro. O 3º é a concretização de uma inevitável guerra “final”, a tal que se antevê desde o início da série, entre as 2 partes envolvidas no conflito, sem grandes inovações na narração. As capas maravilhosamente ilustradas são da autoria de James Jean. E assim terminei também os 3 TPB que me foram ofertados.

Outra área sobre a qual não escrevi ontem foi a musical. Aproveito então para me referir aos CDs revouvidos nos últimos 2 dias. New Amerykah – Part One (4th World War) de Erykah Badu já não foi a desilusão da primeira audição porque já contava com o que esperava. Mas não há enganos, continua com momentos intragáveis, sejam os que causam o tédio, sejam os que se tornam irritantes ao ponto de querer avançar para outra faixa. A nível de letras, há muito para reflectir, uma vez que é, entre muitos outros assuntos, abordada a religião, a toxicodependência ou a política norte-americana e internacional. Mas este álbum de neo-soul, R&B e música urbana contemporânea, apesar de todo o hype que lhe está associado, tem momentos completamente inenarráveis. O que é pena…

Em 1984, David Byrne e Robert Wilson realizaram uma parceria que resultou no épico teatral the CIVIL warS. Passados 23 anos, foi editado em CD , intitulado The Knee Plays, com a banda sonora da peça, 8 faixas bónus que correspondem a versões instrumentais e ainda um DVD com os 57 minutos da duração da peça a ambientarem as 400 fotografias a preto-e-branco da mesma realizadas por JoAnn Verburg e apresentadas sob a forma de slide show. O livreto aborda muitas questões relacionadas com um projecto que parece não ter sido simples. Para não variar, não vi o DVD, mas gosto imenso do CD, em especial dos instrumentais.

Precisava de ouvir um melhor álbum de Frank Sinatra, tendo escutado The Concert Sinatra, onde constam temas de Richards Rodgers, Kurt Weill e Jerome Kern, com arranjos e direcção de Nelson Riddle, variando os estilos entre o jazz vocal, baladas e pop tradicional. Temas como Lost in the Stars,You’ll Never Walk Alone, Soliloquy, Ol’ Man River ou Bewitched são praticamente obrigatórios.

O outro CD dos Violent Femmes adquirido em terras açoreanas foi o 4º álbum da banda, o primeiro após a sua dissolução temporária, intitulado simplesmente 3. Curiosamente, dos 12 temas, são o primeiro e último que deixam marcas, Nightmares e See my Ships. Os estilos musicais continuam a ser o pós-punk, college rock e pop-rock alternativo, apesar da adolescência dos integrantes da banda já fazer parte do passado.

Dig!!! Lazarus Dig!!! de Nick Cave & The Bad Seeds move-se nos mundos do rock & roll, rock alternativo, garage rock e cantautor alternativo. Repleto de hype, em parte devido às letras, sejam elas repletas de humor negro, complicações, sexualmente decadentes eoude algum tipo de blasfémia cristã, e em parte pela energia e alguma crueza ligada ao som da banda, não me convenceu assim tanto, nem na primeira audição nem na presente…

Também não fiquei muito convencido com O Insustentável Peso do Trabalho (Office Space) de Mike Judge, ultrapassando-me por completo a razão porque se tornou um fenómeno de culto. Eis a sinopse: Peter Gibbons tem uma vida miserável e decide visitar um hipnoterapeuta. Num estado de bem-estar total e livre da preocupação de ganhar a vida, a sua nova atitude torna-o mais valioso aos olhos da empresa. Contudo, os seus amigos, Michael e Samir, acabam por ser despedidos. Juntos, eles conspiram para introduzir um vírus no sistema informático da Initech que desvie dinheiro para a sua conta bancária. O curioso é que esta comédia de 1999 em nada acrescebta a qualquer comédia realizada na década anterior. Enfim…

Depois de ver Ploy – Jogos de Sedução (พลอย) de Pen-Ek Ratanaruang cheguei à conclusão que tenho de estar mais atento ao cinema tailandês contemporâneo. Não que se trate de um filme extraordinário, mas porque mostra bastante potencial. Com momentos divertidos e/ou dramáticos, emocionais e/ou gélidos, rápidos e/ou lentos, cosmopolitas e/ou selvagens, eróticos e/ou sexualmente agressivos, o seu conteúdo onírico foi o uqe mais me cativou, ou não tivessem duas das suas personagens em pleno jet lag.

Por fim, um documentário de Julien Temple intitulado Joe Strummer – A Alma dos Clash (Joe Strummer: The Future Is Unwritten). Temple fez indiscutivelmente um bom trabalho como realizador, apresentando um filme que pode agradar a quem não seja um fã do percurso do músico ou dos Clash. Obviamente, a escolha dos entrevistados nunca poderia contemplar todos os que deveriam costar do documentário e algumas presenças não sabemos até que ponto fazem sentido, mas ficaremos sempre sem saber quem foi convidado e não compareceu por vontade ou contratempo… E o óptimo será sempre inimigo do bom.

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