Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 18 Maio, 2009

falsos alienígenas, títulos trocados e arcos antónimos

O Ataque dos Mutantes

O Ataque dos Mutantes

Ontem, comecei o dia com O Ataque dos Mutantes (Mutant Aliens) de Bill Plympton Um astronauta é largado no espaço para morrer. No entanto, regressa à Terra para se vingar, aparentemente acompanhado de alienígenas. O cunho de Plympton está presente ao longo de todo o filme. Ao contrário de quem refere a presença de sexo e violência gratuira no filme, o que achei mais grave foi o ritmo da narrativa, em que nunca mais recuperei do abrandamento que houve na mesma com a história que o astronauta contou sobre o planeta onde tinha estado durante as décadas que se passaram até ao seu regresso, no qual os alienígenas tinham formatos de porções anatómicas do corpo humano. Desengane-se quem procurar aqui a obra-prima de Plympton.

O dia cinematográfico terminou com o filme Perseguido pelo Passado (Carlito’s Way) de Brian de Palma, baseada na personagem Carlitos Brigante dos dois romances escritos por Edwin Torres, o que deu título ao filme e After Hours. Curiosamente, os acontecimentos retratados são baseados em After Hours, rezando a lenda de que o filme teve o título do primeiro romance, de modo a não ser confundido com o After Hours de Scorcese. As interpretações atignem um alto nível e a realização é digna do thriller, apesar de desde o início conhecermos o fim da estória. Carlito Brigante acaba de sair da prisão, graças a uma técnica legal posta em prática pelo seu advogado. Jurando levar uma vida digna, o ex-traficante de drogas aceita um cargo como gerente de um clube nocturno, com o intuito de angariar dinheiro para se mudar de Nova Iorque para as Bahamas. O seu sonho é interrompido pelos seus antigos companheiros do crime e até por novos bandidos. Recomendo.

Continuando a leitura de Jack of Fables, li o 3º volume, The Bad Prince, que colecta os #12 a 16 da série. Escrito por Bill Willingam e Mathew Sturges, conta com a arte de Andrew Robinson no episódio dedicado a Jack O’Lantern, sendo o arco que dá nome ao volume desenhado maioritariamente por Tony Akins, mas também por Russ Braun, com a arte-finalização quase total de Andrew Pepoy. Após um desvio no último TPB do caminho que esta série gerou, os autores parecem ter regressado aos planos iniciais de explorar as personagens secundárias da série, no sentido de dar uma dimensão mais complexa ao conceito por trás de Fables. Felizmente, parecem estar no bom caminho 🙂 A ilustração das capas da série deixa de ser do excelente James Jean, sendo da autoria de Brian Bolland, a quem aprecio o seu detalhe no desenho. Registe-se que o título do volume é antónimo do arco The Good Prince da série Fables.

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 17 Maio, 2009

a importância relativa dos títulos

Um Belo Par de... Patins

Um Belo Par de... Patins

Ontem, foi um dia que dediquei à 7ª arte, tendo visto 5 películas. Comecei com o filme televisivo O Fim da Liberdade (For Love or Country: The Arturo Sandoval Story) de Joseph Sargent. O próprio resumo do filme (Arturo Sandoval, músico de jazz, sempre desejou emigrar para os Estados Unidos da América, com o objectivo de encontrar a liberdade política que tanto anseia e que é impossível de ter em Cuba durante a liderança comunista de Fidel Castro. No entanto, uma única coisa o detém de prosseguir o seu sonho: o grande amor que sente pela sua mulher e filhos, pessoas que não consegue deixar para trás) já contém provavelmente algumas inconsistências históricas, as quais são exploradas no filme. O melhor é encarar o filme como uma obra de ficção que tem por base alguns acontecimentos reais na vida do famoso trompetista de jazz cubano. Inclusivamente, para os apreciadores de jazz, além de Arturo-, poderão visionar as personagens de Dizzy Gillespie e Paquito D’Rivera e, melhor, deliciar-se com a banda sonora do filme. O restante é um batido manifesto contra a política de Fidel e a sua repressão, desta vez, sobre a criatividade musical.

Depois de um filme realizado para a televisão, seguiu-se um outro dirigido directamente ao mercado de DVD. Refiro-me a Stargate – A Arca da Verdade (Stargate: The Ark of Truth) de Robert C. Cooper. Quando o SG-1 procura uma arma antiga com capacidade para ajudar a derrotar Ori, descobre que esta se pode encontrar na galáxia controlada pelo próprio Ori. Stargate é uma franchise de ficção científica militar épica que detém um feito nunca antes alcançável. A sua série televisiva Stargate – SG1 – uma sequela do filme simplesmente intitulado Stargate, lançado 3 anos antes foi a única série de ficção científica norte-americana que teve direito a 10 temporadas. E poderia ter mais, se não tivesse sido cancelada. Essa é a razão deste filme, no qual se conclui o arco dos Ori, inciado na 9ª temporada. A estória apresentada neste filme estava originalmente planeada como um conjunto de 5 a 6 episódios entre o final da 10ªe início da 11ª temporada. Com o cancelamento da série, foi transformado num filme, que ocorre após o final da 10ª temporada e antes da 4ª temporada do spin-off Stargate Atlantis. Apesar do maior orçamento concedido, alguns cenários não parecem realistas, o que minimiza o impacto do filme. Por outro lado, os espectadores que nunca viram a série, em especial as últimas temporadas, sentir-se-ão um pouco perdidos, dada a diferente composição da equipa SG1 e sem saber  quem são os tais Ori. Resumindo, um filme apenas destinado aos espectadores da série televisiva, em que a maioria dos diálogos e representações deveria ter sido mais cuidada. Seja como for, o filme teve sucesso q.b. para se ter realizado um segundo (Stargate: Continuum) – com o regresso das personagens Jack O’Neill e George Hammond – e haver rumores de que haverá um terceiro.

Continuando com a associação entre o cinema e televisão, vi South Park – O Filme (South Park: Bigger, Longer & Uncut) de Trey Parker. Na pequena cidade de South Park, no Colorado, os amigos Stan, Kyle, Eric e Kenny estão emocionados com a estreia de um filme canadiano restrito, e nada os irá impedir de se esgueirarem para dentro do cinema. Contudo, quando a linguagem dos rapazes começa a ficar cada vez mais marcada por asneiras depois de verem o filme, os seus pais e os directores da escola decidem que algo tem que ser feito. A série televisiva South Park encontra-se na 13ª temporada, tendo estreado em 1997. Não deixa portanto de ser curioso que uma longa-metragem baseada na mesma tenha sido produzido apenas 2 anos após o seu início. Uma grande percentagem do argumento do filme foi inspirado na própria polémica e controvérsia que a série gerou, devido ao seu humor, ora negro, ora surreal, ora escatológico, não poupando quase nada da sua sátira, desde religião, política, violência, sexualidade ou doença mental. O humor do filme – um misto de comédia e musical – é uma montanha russa, com momentos verdadeiramente inteligentes rodeados por outros veramente escatológicos e preconceituosos. Sadam Hussein é uma das personagens principais do filme, sendo retratado como o parceiro homossexual de Santanás. O mês passado foi tornado público que o filme foi mostrado ao antigo líder do Iraque aquando da sua estadia na prisão.

Seguiu-se a comédia Um Belo Par de… Patins (Forgetting Sarah Marshall) de Nicholas Stoller. Eis um daqueles títulos de filmes que jamais viria.  E o resumo também não ajuda – Um homem recentemente abandonado pela namorada decide afogar as mágoas no Havai. No entanto, ela também lá está, juntamente com o novo namorado. Sendo este o primeiro trabalho de Stoller como realizador, é impossível não aplaudir. Porquê? Porque redefine o que deve ser uma comédia romântica. O melhor exemplo dos últimos tempos deste género cinematográfico é realmente este filme, imperdível. Uma sequela está prevista para o próximo ano.

Por fim, vi o drama do francês Olivier Assayas Tempos de Verão (L’Heure d’Été). Três irmãos, Frédéric, Adrienne e Jérémie, vêm as suas relações familiares postas à prova aquando da morte da mãe. Além da herança, há também que lidar com o passado. Neste filme, o espectador é confrontado com a passagem do tempo e a morte, acompanhada da não resistência das memórias de quem partiu e o destino dos objectos que se deixam. Interessante q.b., tive ainda a experiência de rever peças de arte há tão pouco tempo vislumbradas no Musée d’Orsay.

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 16 Maio, 2009

heróis e anti-heróis

Heróis de Guerra

Heróis de Guerra

O multipremiado filme que visionei ontem, Heróis de Guerra (Muk gong ou 墨攻), é um exemplo do cinema de Hong Kong, sendo realizado por Chi Leung ‘Jacob’ Cheung. Curiosamente, baseia-se num manga do japonês Hideki Mori, intitulado Bokkô, o qual , por sua vez, é uma adaptação do romance histórico homónimo de Kenichi Sakemi, que se centra no Período dos Reinos Combatentes na China dos séculos V a III a.C. A época é tão antiga que não deve ser fácil avaliar a caracterização histórica. No enanto, as interpretações ficam aquém do esperado, bem como a realização e fotografia. O filme pretende ser um épico e revelou-se-me uma desilusão.

Já abordei aqui a série norte-americana de banda desenhada intitulada Fables. E também já referi o seu spin-off, Jack of Fables, centrado nas aventuras a solo de Jack. Jack of Hearts é a segunda compilação desta série, que aqui reúne os #6 a 11 mensais. O argumento é de Bill Willingham e Matthew Sturges, estando a arte dos #6 e 7 a cargo de Steve Leialoha, sendo os #8 a 11 desenhados por Tony Akins e arte-finalizados por Andrew Pepoy, que também desenhou as últimas 10 páginas do #11. O primeiro arco é dedicado a Jack Frost, onde Jack clama ter sido essa personagem bastante conhecida do folclore anglo-saxão. O segundo arco que dá nome à colectânea centra-se na sua procura de fortuna nos casinos de Las Vegas, onde a personificação da sorte é o seu maior inimigo, Lady Luck. Já faz algum tempo que li a primeira colectânea desta série, mas esta parece-me algo inferior, com os argumentistas a decidirem como explorar o futuro de Jack. A referência ao seu passado, como Jack Frost, acabou por ser o mais interessante.

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 15 Maio, 2009

2 trios e 4 ficheiros

Boswell Sisters

Boswell Sisters

Ontem, reouvi um daqueles CD comprados em gasolineira de auto-estrada. A série The Great Vocalists of Jazz & Entertainment, remasterizada digitalmente, contém 748 temas das décadas de 30 a 50, interpretados por mais de 20 artistas históricos, repartidos por 40 discos. O CD duplo que adquiri é composto por um primeiro disco com as Andrew Sisters e um segundo com as Boswell Sisters, tendo o título da canção que abre o disco das irmãs Andrew dado nome a esta colectânea, Bei Mir Bist Du Schön, quiça por a editora responsável por esta compilação ser alemã. O CD das Andrew Sisters é constituído por 16 temas, apresentando o convidado especial Bing Crosby num dos temas. Este trio é um dos retratos da música em voga nos EUA antes dos anos 50, repleta de harmonia e optimismo, provavelmente procurada durantes os anos difíceis da Depressa e da II Guerra Mundial. Tendo a sua carreira terminado na década de 50, as Andrews deixaram gravadas mais de 600 canções, venderam cerca de 100 milhões de discos e participaram em 17 filmes em Hollywood, alcançando um sucesso nunca atingido por o trio que idolatravam, as Boswell Sisters, e que as antecedeu. As irmãs Boswell, populares na década de 30, são inclusivamente considerado o primeiro girls group. O segundo CD presenteia-nos com 24 temas, sendo a semelhança das Andrews com as Boswell mais do que evidente. Como sempre, muitos temas interessantes ficaram de fora destas compilações e, apesar da remasterização, o som nem sempre permite apreciar com prazer os músicos que as acompanham…

Vi ainda 4 episódios de Ficheiros Secretos, os #7 a 10 da 2ª temporada. 3 foi realizado por David Nutter, tendo a particulariedade de ser um episódio exclusivo para o Mulder, sem nenhuma outra personagem habitual na série presente – é o primeiros dos 5 episódios ao longo de toda a série onde não aparece Dana Scully. Com o desaparecimento de Scully, Mulder investiga… vampiros… e aproveita para se envolver emocionalmente com uma suspeita – papel desempenhado pela namorada na vida real de Duchovny, o que é muito curioso…

Gillian Anderson deu à luz a sua filha Piper e regressou à série. Se o episódio anterior se caracterizava por uma ausência de personagens conhecidos além de Mulder, neste episódio realizado por R. W. Goodwin, intitulado One Breath e no qual Scully surge misteriosamente em coma num hospital, há uma confluência de caras conhecidas – Skinner, homem do cigarro, o trio dos Lone Gunmen, Mr. X e os pais de Scully, foram também introduzidas a Melissa – irmã de Scully – e uma aparição de Scully em criança, cuja actriz retornará noutro episódio. Surge também pela primeira vez – apesar de ainda sem actor a desmepenhar este papel – The Thinker, um membro não oficial dos Lone Gunmen que descobre terem sido feitas experiências genéticas com Scully. Nunca o sentimentos de uma tão grande conspiração que nos deixa impotentes foi tão sentido como aqui, com Mr. X a assassinar um homem de preto, de modo a proteger Mulder e Scully, e Mulder tentado a matar o homem de cigarro, o qual culpa por tudo o que aconteceu à Scully, chamando-o de homem cancro.

Em Firewalker, realizado por David Nutter, uma recomposta Scully investiga juntamente com Mulder uma forma de vida à base de silício num vulcão, estando a maioria dos cientistas infectados com este fungo, o qual se revela mortal. Com excepção dos efeitos especiais, não muito interessantes, vê-se com agrado.

Por fim, Red Museum, realizado por Win Phelps e escrito pelo próprio Chris Carter, traz de volta o homem de preto que matou Deep Throat e experiências com material alienígena numa população, numa piscadela de olho à trama principal da série. No global foram bons episódios, com destaque para One Breath.

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 14 Maio, 2009

no regresso a casa

Voltar a Casa

Voltar a Casa

O filme de ontem foi visto ao Voltar a Casa (Lùo yè gûi gên ou 落叶归根 ou 落葉歸根). Realizado por Yang Zhang, a estória é aparentemente simples, ao perder o seu maior amigo, Zhao prometeu a todo o custo devolvê-lo à terra natal. Enceta assim uma longa viagem, carregando o seu corpo por caminhos desconhecidos. Baseado numa história verídica, trata-se de uma comédia negra, onde se explora o valor das promessas e da amizade, num road movie chinês, que prova que o cinema de Hong Kong está de boa saúde e não se limita a um género.

Vi ainda 3 episódios de Ficheiros Secretos, mais concretamente os 4º a 6º da 2ª temporada. Sleepless, realizado por Rob Bowman é um excelente episódio, com um bom argumento e boas interpretações, sendo ainda o episódio que marca a primeira aparição de Mr. X e de Alex Krycek, o novo colega de Mulder secretamente sob ordens do homem do cigarro. Este, no final do episódio diz que todos os problemas têm solução, quando Krycek opina que Scully é um problema muito maior do que esperavam… O que lhe irá acontecer?

A resposta começa-se a antever no episódio seguinte, Duane Barry, escrito e realizado pelo próprio Chris Carter, sendo a sua primeira experiência em realização. Após Scully estar ter tido acesso a algo que pode ser um implante alienígena, é raptada por Duane Barry e surgem as palavras to be continued no final.

Os acontecimentos anteriores revelam-se cruciais para a mitologia alienígena da série, pois em Ascension, realizado por Michael Lange, Duane Barry crê que Scully foi raptada das mãos dele por alienígenas. Mulder expõe Krycek a Skinner, sendo que Krycek desaparece – embora venha a aparecer posteriormente em muitos episódios. Quem reaparece é a mãe de Scully, bem como Mr. X que comunica a Mulder que o senador não o pode ajudar na sua demanda por Scully. E Skinner reabre os X Files… E a habitual frase em destaque na apresentação é substituída por Deny Everything. Em suma, 3 bons episódios que dariam ainda muitas ideias aos argumentistas e produtores desta série televisiva.

A nível musical, reouvi o álbum duplo Best of Dance 2008 – The Rhythm of Live vol. VII, uma compilação portuguesa de música de dança internacional pelas mãos de João Reis aka D’Jay Rich. Uma selecção que não fica atrás das outras propostas dentro do género.

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 13 Maio, 2009

revendo e reouvindo

Frank Sinatra

Frank Sinatra

Ontem, vi os 2º e 3º episódios da 2ª temporada da série televisiva Ficheiros Secretos. O episódio The Host foi realizado por Daniel Sackheim e escrito pelo próprio Chris Carter. Apesar da grande trama não evoluir neste episódio, dão-se uns passos nesse sentido, uma vez que a personagem Mr. X é introduzida, ouvindo-se a sua misteriosa voz ao telefone, onde afirma que é imperativo que os X Files sejam reabertos. Quanto à estória, divertirá todos os espectadores com formação em área científica pela inocência com que a mesma tenta não ser inverosímel.

Blood é um episódio onde a vontade de elaborar uma história à volta de um pesticida, tendo por base o DDT, e outra vontade relacionada com a inclusão na mesma de leituras digitais, originou um argumento híbrido, sem muito sentido e algo aborrecido. A realização foi de David Nutter, tendo como convidados especiais os The Lone Gunmen.

Lançado em 1961, o álbum Swing Along with Me de Frank Sinatra foi posteriormente reeditado com o título Sinatra Swings. A razão prendeu-se com o facto deste primeiro disco gravado para a editora Reprise Records ser tão similar a nível do estilo e sua abordagem – com arranjos e direcção de Billy May e a sua orquestra –  com o prévio Come Swing with Me gravado para a Capitol que deu origem a um processo por parte da Capitol e à alteração do título. Polémicas à parte, as inovações neste álbum em relação ao da Capitol, são a presença de saxofones e a existência de cordas nas baladas. Ao todo são 12 temas de jazz vocal e pop tradicional, com temas como Falling in Love with Love e Have you Met Miss Jones? de Rodgers e Hart, Love Walked In dos irmãos Gershwin e You’re Nobody ‘til Somebody Loves You. Um bom momento de reaudição!

Outra reaudição de Sinatra foi o CD L.A. Is my Lady, o último álbum de Sinatra editado em vida, com excepção dos dois duetos. Além do pop tradicional e jazz vocal, há aqui também espaço para o soft rock, com Sinatra a adaptar o seu estilo aos anos 80. A canção que dá título ao álbum e The Best of Everything destacam-se, além do tema composto por Cole Porter, It’s All Right with Me.

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 12 Maio, 2009

les deux magots

Saint-Germain-des-Prés Café v. 10

Saint-Germain-des-Prés Café v. 10

Ando a descuidar a estatística do blog. Anteontem, foi a 100ª entrada e só reparei hoje 😉

Repleto de electrónica e electro jazz, o 10º volume da série discográfica Saint-Germain-des-Prés Café continua estas compilações de nu jazz em grande forma. O seu nome evoca os famosos cafés de Saint-Germain-des-Prés, o bairro que se desenvolveu à volta da igreja com o mesmo nome, na margem esquerda do Sena, associado ao movimento do existencialismo em Paris. Talvez os cafés mais famosos nesta área sejam Les Deux Magots e o Café de Flore. Aquando da minha recente estadia em Paris, optei pelo Les Deux Magots, tendo então sido frequentado pela elite literária e artística de Paris, e refúgio de surrealistas como François Mauriac. Ernest Hemingway, Oscar Wilde, Djuna Barnes, André Breton e Paul Verlaine eram clientes habituais, sem esquecer Picasso, que conheceu ali, em 1937, a sua musa Dora Maar. O nome do café teve origem em duas estátuas chinesas de madeira que decoram um dos seus pilares. Optei por uma mesa na esplanada, virada para a praça, tendo verificado ser um local bastante frequentado por estrangeiros, além de certos parisienses. Mas voltemos ao CD duplo… O primeiro CD foi intitulado The Nu Jazz Session e inclui músicos como Shirley Bassey – remisturada por Señor Coconut -, St Germain, Llorca, Koop, The Amalgamation of Soundz, Club des Belugas ou Jill Scott. O 2º CD, subintitulado The Nu SoulJazzFunk Mix by Quantic, revela tratar-se de uma remistura da autoria de Quantic, aka Will Holland. Além de Holland, seja via The Quantic Soul Orchestra ou Quantic, estão presentes mais 11 propostas extremamente interessantes. Pessoalmente, gostei mais do 1º CD, mas de uma forma global é uma das opções mais credíveis na área.

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 11 Maio, 2009

com diferentes sabores

 

O Sabor da Melancia

O Sabor da Melancia

Alpha Dog de Nick Cassavetes é um filme extremamente curioso. Não por ser baseado em factos reais, acerca de um rapto e assassínio de um adolescente, mas por ter sido feito com a ajuda do advogado de acusação e pelo filme ter sido lançado para o circuito comercial antes de ter tido lugar o julgamento do líder do gang, traficante de droga e alegado responsável pela ordem de execução – o julgamento ocorre este ano. Quanto ao filme, conta com boas interpretações, que lhe conferem o realismo necessário. E provavelmente geram preocupação a todos os pais…

No intervalo dos filmes, houve tempo para o 1º episódio da 2ª temporada de  X Files. Little Green Men foi realizado por David Nutter e torna a focar-se na mitologia alienígena. Se o último episódio da primeira temporada sugeriu que Mulder continuaria a sua cruzada, com ou sem os X Files encerrados, encontramo-lo desmotivado para o fazer neste episódio. É graças a um senador – já na 1ª temporada tinha sido sugerido que Mulder teria aliados políticos – que a recupera, sendo esta a primeira aparição do Senador Mathenson na série. O episódio explora ainda visualmente o alegado rapto da irmã de Mulder, por extra-terrestres. Os actores que interpretam os jovens Mulder e Samantha, retornarão para desempenhar os mesmos papeis. Skinner e o homem do cigarro compõem a galeria de personagens especiais convidadas. É o episódio onde parece aparecer pela primeira vez uma imagem de um alienígena, apesar de se distinguir apenas um corpo com uma forte luz por trás. E o mistério adensa-se…

Em primeiro lugar, registe-se que não vi o filme Ni na bian ji dian de Ming-liang Tsai, no qual as personagens Hsiao-kang e Shiang-chyi se encontram pela primeira vez. No entanto, ontem visionei o filme realizado 4 anos depois, onde as personagens se reencontram por acaso. Em O Sabor da Melancia (Tian bian yi duo yun ou 天邊一朵雲), Hsiao-Kang, agora a trabalhar como actor de filmes para adultos, reencontra Shiang-chyi. Em Taiwan, devido à seca, a população bebe a água das melancias. Multipremiado e com um sucesso comercial incomum na Formosa, o filme tem momentos de comédia, de drama e até de musical, demorando-se no fetichismo, violação sexual e sexo (quase) explícito. Quase no final, o realizador mostra como as filmagens de um filme pornográfico nada têm de erótico ou que provoque excitação sexual… ou quase. A estória é vazia e as homenagens aos sucessos musicais dos anos 50 e 60 em mandarim pouco me dizem. Ficam as competentes interpretações numa realização repleta de pretensões onde parece que a montanha deu à luz um rato…

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 10 Maio, 2009

lendas de sempre

Sempre ao teu Lado

Sempre ao teu Lado

Seguindo a sugestão de uma amiga, eis que dedico umas linhas ao filme A Lenda de Despereaux (The Tale of Despereaux) de Sam Fell e Robert Stevenhagen. Foi baseado no premiado livro escrito por Kate DiCamillo e ilustrado por Timothy B. Ering, publicado em Portugal pela Gailivro, o qual originalmente tem o subtítulo de Being the Story of a Mouse, a Princess, Some Soup, and a Spool of Thread. E foi devido à sopa que o visionei, no sentido de verificar se o filme promovia o consumo da sopa entre as crianças sem que realizasse qualquer educação alimentar nesse sentido. E a resposta é: provavelmente, sim 😉 Quanto ao elenco, é um desfilar de actores bem conhecidos e cotados, sendo a animação por CGI interessante. O único senão, a esse nível, são as personagens humanas terem ficado muitíssimo aquém das animais. No que diz respeito à história em si, necessitaria, sem dúvida, de uma melhor adaptação ao grande écran.

Vi também o episódio final da 1ª temporada de X-Files, intitulado The Erlenmeyer Flask. Realizado por R.W. Goodwin, a autoria do seu argumento foi do próprio Chris Carter, fechando o círculo iniciado com o episódio piloto. São várias as referências ao piloto, incluindo a hora da chamada nocturna entre os dois agentes e o homem do cigarro a arquivar uma das provas no Pentágono. Nos próximos episódios continuaria a haver lugar para acontecimentos explorados neste episódio: as experiências genéticas, híbridos humanos-alienígenas, fetos alienígenas, sangue alienígena tóxico, conspirações governamentais e assassinos implacáveis. O episódio tem também a singularidade de ter sido o primeiro em que a tag The Truth Is Out There foi substituída por Trust No One, as aparentes últimas palavras de Deep Throat quando é alvejado pelo Crew Cut Man, que surge pela primeira vez neste episódio. No final, os ficheiros secretos são também encerrados pela primeira vez. É, sem dúvida alguma, um episódio essencial para a mitologia alienígena que se desenvolveria ainda mais nas temporadas seguintes.

Na canal televisivo Nickelodeon vi ainda o divertido episódio piloto da série de animação Those Scurvy Rascals, do produtor executivo Daniel Isman, realizado por Oly Hyatt. Intitulado Pant Island, este episódio pode também ser visto no site oficial da série. Estabelece os princípios desta série surreal, na qual se segue as aventuras de um trio de piratas que, em vez de tesouros… procuram cuecas. É divertido!

Vi também uma curta-metragem intitulada Cluckie the Vampire Chicken. Pelo que percebi é também (ou eventualmente virá a ser) uma série. Não garanto, mas julgo que a realização é de Stu Gamble. Durou cerca de 1 minuto e não pareceu mau. Dado o pouco que vi, dou-lhe o benefício da dúvida 😉

Quanto a cinema, o filme visionado desafia os géneros habituais, sendo uma vera amálgama. Poderia ser definido como uma dramédia romântica policial e fantástica… ou talvez não 😉 Escrevo sobre a película realizada pelo sul-coreano Jae-young Kwak, Sempre ao teu Lado (Nae yeojachingureul sogae hamnida / 내 여자친구를 소개합니다). Com uma grande piscadela de olho ao circuito comercial, após uma introdução que nos sugere que o filme abordará os acontecimentos que levam uma jovem ao suicídio – cujo início começamos a presenciar -, muda o registo para vislumbramos uma comédia romântica com uns laivos de policial cómico, que aos poucos se vai tornando mais sério. A princípio, estranha-se esta mudança, mas depois entranha-se… A certo ponto do filme, toda a comédia desaparece, para se concentrar no drama e no fantástico, revelando que o filme não é sobre nada do que tinha sido sugerido no início. Trata-se de um bom filme, que aconselho sem reservas, mas previno que as mudanças de registo podem causar algum desconforto…

Publicado por: Nuno Pereira de Sousa | 9 Maio, 2009

3+3

Procurado

Procurado

Ontem, vi o filme televisivo Susie Q de John Blizek. Depois da sua família se mudar para uma casa antiga, um rapaz torna-se amigo de uma fantasma que lá habita e que precisa de um favor importante. A estória apresenta algumas falhas do ponto de vista narrativo e algumas interpretações deixam muito a desejar, o que implica que este filme que dificilmente ultrapassaria a mediana jamais teve qualquer hipótese de a atingir tal objectivo…

Uma mini-série norte-americana de banda desenhada que nunca li foi Wanted de Mark Millar e J. G. Jones, editada pela Top Cow entre 2003 e 2005. Em 2008, Timur Bekmambetov realizou o filme parcialmente baseado nestta banda desenhada, intitulado em português Procurado. E a franchise parece estar a render pois este ano foi lançado o videojogo Wanted: Weapons of Fate para PC e consolas, passado 5 horas após o término do filme, e há planos para um segundo filme. As piscadelas de olho ao universo DC na BD não estão presentes no filme, não permitindo uma leitura de várias camadas. Está-se perante um filme de acção puro, em que os efeitos visuais e os feitos fisicamente impossíveis são valorizados acima da narração, como é comum nos filmes deste realizador russo, que com este filme se estreia em Hollywood. E, se assim encarado, como um espectáculo, é de se lhe tirar o chapéu.

No filme Em Fuga ao Passado (Runaway) de Tim McCann, um rapaz e o seu irmão mais novo mudam-se para uma cidade do interior para recomeçar a vida, mas quando tudo parecia bem descobrem que não se consegue fugir do passado. Trata-se de uma pérola escondida. Aos poucos vamo-nos apercebendo qual é a história do filme, em que a regra é nem tudo aquilo que parece é. Pouco conhecido, é um daqueles filmes que devemos fazer questão de não deixar passar ao lado…

Colocando em dia também os episódios televisivos vistos, eu e a minha esposa assistimos anteontem a mais 3 The X- Files da 1ª temporada, nomeadamente os #21 a 23. Tooms, realizado por David Nutter, tem algumas singularidades. É a primeira e única aparição durante a 1ª temporada de Skinner. É o 1º e único episódio da 1ª temporada em que o enigmático homem do cigarro fala. E é o 1º episódio em que regressa um vilão, que dá título ao episódio. Curiosamente, este regresso permite também posicionar como as investugações levadas a cabo por Mulder e Scully são encaradas judicialmente e dentro do próprio FBI.

Os restantes 2 episódios são independentes do fio condutor da série, apesar de em Born Again  – que lida com a reencarnação – o nome de Tooms ser mencionado. Este episódio foi realizado por Jerrold Freedman, apresentando uns feitos visuais dignos de uma série de baixo orçamento.  Nutter realizaria o seguinte, Roland, onde se destaca a interpretação do actor convidado Zeljko Ivanek, parecendo haver algumas inconsistências na estória.  Cumprem o seu papel, antes do episódio final da 1ª temporada…

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